
Identidade, estética, sustentabilidade e funcionalidade se integram para transformar a casa em um espaço de acolhimento que convida à pausa
As tendências de decoração para 2026 apontam para um caminho claro: conforto e bem-estar não são diferenciais, são prioridades. A casa não é mais só um lugar de descanso, ela representa a identidade e o estilo de vida de quem a habita por meio de cores, revestimentos, mobiliário e texturas. Essas escolhas refletem uma preocupação maior com projetos mais conscientes e duradouros. Segundo André Campana, Head de Marketing da Expo Revestir, não se trata apenas de decorar, mas de investir na qualidade de vida. “Esse movimento é estrutural e tende a se intensificar, porque está ligado a comportamento, não a moda”, declara.
É mais do que apenas seguir tendências ou uma estética definida. O ano de 2026 marca uma mudança na forma de viver a casa: com mais calma, mais intenção e mais sensibilidade. “Estamos entrando em um ciclo em que arquitetura e design deixam de ser apenas linguagem visual para assumir um papel cultural. A Expo Revestir reflete exatamente esse momento: a construção de um novo padrão de relacionamento entre as pessoas e os espaços que elas ocupam”, avalia Campana. A edição de 2026, realizada de 9 a 13 de março no São Paulo Expo, reuniu em 65 mil metros quadrados, as principais tendências e inovações repletas de design, tecnologia e sustentabilidade.

Feito sob medida
Para ele, a palavra que melhor define o design em 2026 é autenticidade. O mercado está se afastando de soluções genéricas e passando a valorizar propostas que contam uma história própria, alinhadas à identidade de quem vive o espaço. Materiais naturais, texturas que convidam ao toque, combinações menos previsíveis e projetos com narrativa própria indicam essa mudança.
Em um cotidiano cheio de estímulos e informações, o interior da casa passa também a ter uma função quase de renovação. Ambientes mais acolhedores, com cores neutras e menos elementos visuais ajudam a criar a sensação de equilíbrio, tranquilidade e descanso. O conforto é hoje a prioridade. As pessoas querem se sentir bem dentro de casa. O bem-estar ganhou muito protagonismo”, afirma Angelo Derenze, diretor-geral do Shopping D&D, o mais completo centro de Decoração & Design da América Latina.
Desacelerar, no entanto, não significa deixar de lado a rotina. Pelo contrário: é preciso que o projeto esteja ainda mais atento às necessidades reais de quem vive ali. Soluções que não levam em conta hábitos, gostos e dinâmica familiar tendem a gerar frustração. “Quando o projeto ignora a identidade de quem vai viver naquele espaço, ele deixa de cumprir sua função principal, que é acolher”, destaca Rose Chaves, arquiteta especialista em pisos e revestimentos.
“Arquitetura sensorial não é tendência estética, é uma resposta técnica e humana à forma como as pessoas querem se sentir dentro de casa”, completa. A busca pela personalização refletiu na valorização do trabalho de profissionais da área, uma vez que um bom planejamento ajuda a evitar desperdícios e a aumentar a durabilidade do projeto.
“Aquela ideia de que contratar um arquiteto ou decorador é sempre muito caro foi sendo quebrada. Houve uma democratização e está crescendo, inclusive, o número de profissionais no segmento”, declara Derenze.
Nesse novo cenário, funcionalidade e praticidade, assim como o equilíbrio entre custo e benefício, viraram critérios determinantes. “O design precisa cumprir um papel no dia a dia. O conforto é muito importante, assim como a praticidade”, observa o diretor-geral do Shopping D&D.

da casa, como a cozinha – Foto: Divulgação/ Duratex
Práticas sustentáveis
De modismo, a sustentabilidade emerge como uma obrigação do setor: é uma alternativa possível para o futuro do planeta, baseada em escolhas conscientes. Processos produtivos responsáveis, reaproveitamento de resíduos e soluções que causem menor impacto ambiental passam a ser requisitos essenciais, com as pessoas cada vez mais atentas à origem e ao ciclo de vida dos produtos.
Iniciativas como a by Kamy Verde, que cria protótipos usando sobras de apetes, mostram o avanço da economia circular. “A sustentabilidade deve ser algo natural e só evoluir, sempre buscando melhorias”, afirma Francesca Alzati, arquiteta e designer da By Kamy.
Para Francesca, o luxo atual está na origem e na autoria dessas peças. “Tem a ver com a matéria-prima natural e o fato de serem feitas à mão. São produtos corretos, preciosos e únicos, que valorizam tanto o homem quanto a natureza!”, reforça.
Para André Campana, personalização, sustentabilidade e peças exclusivas não competem entre si; na verdade, elas se complementam. O consumidor quer entender o que está comprando, e a personalização é uma forma de expressar sua identidade. A sustentabilidade aparece como uma responsabilidade importante. Além disso, a procura por peças exclusivas revela um afastamento da padronização massiva. “O mercado está migrando de consumo funcional para consumo consciente. O valor simbólico do produto ganhou peso equivalente ao valor estético”, finaliza.

Tons claros e formas orgânicas em evidência
Tons claros, como off-white e materiais naturais continuam sendo destaque nos projetos residenciais, pois refletem uma mudança na forma de morar hoje: ajudam a ampliar os espaços visualmente e proporcionam uma sensação de conforto e continuidade. O branco organiza o ambiente, diminui estímulos visuais e deixa os espaços mentalmente mais leves. “Há algum tempo percebemos uma valorização crescente de paletas claras e materiais que promovem conforto e equilíbrio visual”, afirma Patrícia Cisternas, gerente de Marketing da Duratex e da Durafloor. Não à toa, a escolha da Cor do Ano 2026 pela Pantone foi a Cloud Dancer, um branco suave e luminoso, que reforça essa ideia.
Essa tonalidade transmite uma estética leve e natural, e evidencia uma necessidade comportamental: criar ambientes que sejam espaços de descanso, presença e reconexão.
Inspiradas na natureza, as formas orgânicas continuam em evidência nos contornos de móveis, espelhos e elementos arquitetônicos. Curvas, arcos e volumes assimétricos quebram a rigidez das linhas retas, trazendo movimento aos ambientes e um pouco da natureza para dentro de casa. Os espaços ficam mais fluidos, acolhedores e modernos, indo ao encontro do desejo de se reconectar com o natural.
Ao mesmo tempo, padrões geométricos e listras clássicas continuam presentes, desde que usados com equilíbrio. Uma base neutra ajuda a destacar pontos de cor mais vibrantes, evitando excessos.
Por Luciana Albuquerque e Mara Luongo





