Wellness turismo: o novo luxo é desacelerar

2
Existem hotéis, resorts e spas de alto padrão que oferecem hospedagens e experiências relaxantes - Foto: Alexandre Franca

Cresce a procura por hotéis e experiências de viagens que favoreçam uma pausa na rotina e promovam bem-estar, saúde mental e até uma noite melhor de sono

Para muitas pessoas, viajar é sinônimo de acordar cedo, tomar café e curtir o agito de atrações turísticas badaladas, maratonar lojas e encarar longas filas em parques de diversão. No entanto, viajar tem ganhado um novo significado para muita gente, que tem escolhido destinos em que a prioridade é desacelerar, relaxar, focar na saúde mental, se reconectar com a natureza, se alimentar e dormir melhor – é o turismo wellness no centro do roteiro.

A demanda por este tipo de viagem voltada ao pleno descanso é uma tendência mundial, que se acentuou após a pandemia. Segundo estudo da Global Wellness Institute, entidade que é referência mundial em pesquisas sobre bem-estar, a previsão é de que o setor movimente US$ 1,35 trilhão (cerca de R$ 7 trilhões) até 2028. Atualmente, o mercado é avaliado em US$ 830 bilhões (o equivalente a R$ 4,5 trilhões).

Iniciativas de turismo wellness surgem a cada dia mundo afora, e são mapeadas pela entidade, que destaca o empreendimento Marina South Coastal, em Singapura, previsto para ser inaugurado em 2030.

O hotel celebrará o bem-estar por meio de experiências como arte, flutuação e terapia de luz. O país asiático já promove o turismo de saúde mental, com 16 jardins terapêuticos para acolher visitantes com autismo, demência, ansiedade e TDAH.

Rituaali Clínica & Spa é considerado o maior spa médico do país, voltado para a medicina de estilo de vida e comportamento – Foto: Alexandre Franca

Outras propostas destacadas pela Global Wellness Institute são o The Dawn Wellness Resort, na Tailândia, e o Quantum Prana, em Bali, que oferecem programas imersivos projetados para uma cura profunda, combinando atendimento psicológico profissional com ambientes acolhedores e isolados. Esses são alguns exemplos de como o turismo de bem-estar está se voltando para retirose experiências personalizadas que combinam psicologia clínica com terapias holísticas, aliando psicoterapia a práticas como meditação, ioga e exercícios respiratórios para promover a resiliência emocional e a recuperação do sistema nervoso.

“De forma geral, a vida cotidiana moderna causa muitos impactos negativos à saúde mental, uma vez que o nível de exigências cabíveis ao ser humano, em muitas ocasiões, extrapola o limite aceitável. Por isso, é importante que as pessoas consigam ter pausas para que se reorganizem mentalmente e possam retomar as atividades obrigatórias sem que elas causem tanto peso”, afirma o psicólogo Maycon Souza. “É necessário que todo mundo consiga manter esse equilíbrio e ter períodos de descanso, se desligando mesmo do trabalho e de outras tarefas ‘obrigatórias’, permitindo-se praticar o ócio e atividades gerais que tragam satisfação e prazer”, complementa.

Brasil na rota do bem-estar

Não é só em paraísos asiáticos que o turismo wellness se faz presente. No Brasil este nicho está se consolidando – e não poderia ser diferente -, afinal, há uma grande demanda de pessoas em busca dessa desaceleração na rotina.

Há um mercado atento de hotéis, resorts e spas de alto padrão cada vez mais engajados na oferta de hospedagens e experiências relaxantes, silenciosas e que revigoram.

Em solo brasileiro, uma das opções mais conceituadas para este tipo de viagem é o Rituaali Clínica & Spa, considerado o maior spa médico do país, voltado para a medicina de estilo de vida e comportamento. “Esse olhar dialoga com estudos internacionais sobre longevidade e qualidade de vida, como os observados nas chamadas Blue Zones, regiões do mundo onde as pessoas vivem mais e melhor”, afirma Lorena Trindade, sócia-diretora do Rituaali Clínica & Spa.

Diferentemente de um spa tradicional em que o cliente passa apenas um dia recebendo massagens, o Rituaali conta com médicos, enfermeiros, psicólogos e fisioterapeutas que trabalham em conjunto para ajudar o hóspede a encontrar a causa de problemas, e assim tratá-lo ao longo da estadia, de no mínimo quatro dias, e não simplesmente oferecer o diagnóstico. Além da parte médica, o local oferece massagens, banhos de imersão, piscina aquecida, jacuzzi, sauna, tratamentos de hidroterapia, fitoterapia, massoterapia, geoterapia e aromaterapia.

Rituaali Clínica & Spa é considerado o maior spa médico do país, voltado para a medicina de estilo de vida e comportamento – Foto: Alexandre Franca

“A experiência é orientada por pilares claros que norteiam todas as decisões do Rituaali: alimentação vital de base vegetal, movimento orientado, qualidade do sono, equilíbrio emocional, relações saudáveis, espiritualidade e conexão com a natureza. Esses princípios não ficam apenas no discurso. Eles estruturam a rotina do hóspede, os programas terapêuticos, a gastronomia, a arquitetura e o próprio ritmo da estada”, diz Lorena.

Com 155 mil metros quadrados rodeados por Mata Atlântica, o Rituaali está situado em Penedo, no Rio de Janeiro, no meio do caminho entre as capitais paulista e fluminense. Localizado aos pés da Serra da Mantiqueira, o visual é uma atração à parte!

O estabelecimento é muito procurado para tratamentos anti-insônia, para quem está no processo de superação do antitabagismo, além de ser requisitado para alívio de estresse, controle de peso e melhor condicionamento físico.

“A experiência é enriquecida por tratamentos indicados conforme a necessidade de cada hóspede a partir da orientação da equipe clínica. No final do ano passado, inauguramos o Aika Rituaali, um espaço dedicado à estética e à regeneração natural, onde também são oferecidos tratamentos como a cápsula de flutuação e o Head Spa. Esses rituais terapêuticos promovem relaxamento profundo e contribuem para a reorganização do sistema físico e emocional”, afirma a sócia-diretora do Rituaali.

Turismo do sono

Dentro desta área promissora do mercado turístico focada em bem-estar, um nicho vem se destacando dentro e fora do Brasil que é o turismo do sono. Na Europa, este segmento está em alta. Em Londres, o Hotel Cadogan tem seu próprio serviço de Concierge do Sono. Na Suíça, o Hotel Mandarin Oriental de Genebra oferece um pacote de três dias, em conjunto com uma clínica de sono particular.

No Brasil, o turismo de sono é uma novidade ainda em consolidação, mas que já pode ser experienciada por turistas sem precisar sair do país. A Pousada Sonho do Campo, em São Pedro, na Serra de São Pedro, no interior paulista, foi entendendo a demanda e se adaptando a ela. “Começamos a perceber que os hóspedes não saíam tanto dos chalés e a perguntavam sobre refeições na pousada, algo que não tínhamos no começo. Hoje as pessoas nos procuram com esse intuito, perguntam sobre silêncio, proximidade da cidade e quantidade de hóspedes”, afirma Assis Junior, proprietário da pousada.

Situada em uma área de 25 mil metros quadrados de natureza e com apenas quatro acomodações, a sensação de exclusividade garante silêncio e tranquilidade para uma boa noite de sono. O estabelecimento oferece luzes quentes, abajures e enxoval que remetem ao aconchego, literalmente é de “casa de vovô”, segundo Assis.

No Rituaali, a experiência é orientada por pilares claros que envolvem também a alimentação vital de base vegetal – Foto: Alexandre Franca

O proprietário percebe que o ambiente mais calmo e relaxante leva a algumas mudanças no comportamento dos visitantes durante a estadia. “É notório que todos falam mais baixinho. Alguns não levam o celular para o salão do restaurante”, diz o responsável pela pousada, que viu a procura por hospedagens aumentar desde o ano passado, principalmente por casais 35 + em que ambos trabalham fora de casa.

Para o psicólogo Maycon Souza, viajar com foco em descanso e sono pode ser visto como uma resposta saudável ao ritmo da vida contemporânea. “Quando a pessoa retorna da viagem com mais leveza e fluidez, entende-se que aproveitou ao máximo este tempo. Podemos considerar uma condição positiva e relacionada ao autocuidado. Só é compreendido como fuga quando a pessoa não consegue entender o fim deste momento e busca sabotar o seu retorno às atividades obrigatórias”, afirma o profissional.

Por Jéssica Mendes