
Assessora da presidência da Câmara de São Paulo, ex-vereadora e procuradora-geral, defende uma gestão pública com DNA empreendedor e uma aliança vital entre a capital e o interior para redesenhar o futuro do estado
Advogada de formação, Mônica Cury Sanches, de 45 anos, viu sua vida se cruzar com o universo do empreendedorismo em uma mesa de crédito. Mais precisamente atuando como agente de crédito do Banco do Povo Paulista, há 15 anos, na Prefeitura Municipal de Salto Grande, no interior de São Paulo, coincidindo com a criação das MEIs (Microempreendedores Individuais). Ela não era apenas uma funcionária; era uma facilitadora de sonhos. “Eu vivi o sonho alheio de muitas e muitas pessoas. Abri muitas e muitas MEIs e emprestei muito dinheiro a juros baixos pelo Estado de São Paulo”, conta.
Foi ali, diante de sonhos e planos alheios, que sua visão começou a se desenhar e ela definiu seu propósito: moldar novas perspectivas para a política e o desenvolvimento em São Paulo. Natural de Salto Grande, cidade do centro-oeste paulista na divisa com o Paraná, Mônica sempre esteve ligada ao serviço público. Como procuradora municipal de Cândido Mota (SP) desde 2015 vivenciou de perto os desafios de gestão de um município. Sua atuação como funcionária pública e no Banco do Povo a tornou conhecida e confiável, culminando em uma eleição com votação histórica para vereadora de Salto Grande, onde cumpriu mandato de 2021 a 2024. Sua transição para a política foi, nas suas palavras, uma “consequência”. “Ser vereadora foi só uma consequência de uma série de atitudes que eu tomei enquanto funcionária pública”, explica. “Eu usei de um cargo para ter uma maior autonomia, para realizar justamente aquilo que eu já realizava, que era o bem da minha comunidade”, reflete.
A semente do empreendedorismo
Ela não vem dos holofotes tradicionais, mas do interior profundo, do contato com a terra e da vivência prática dos desafios e sonhos do cidadão. Essa experiência de lidar com as dificuldades, as esperanças e a resiliência dos pequenos negócios personificaram em Mônica uma nova forma de enxergar a gestão pública: com olhos de empreendedora e coração de servidora.
Para ela, o empreendedorismo nasce com cada um. “Eu sou uma inconformada com o mundo e isso me levou a empreender”, pondera a servidora, que também é empresária, fundadora do Centro de Re-solução de Conflitos e Cidadania de Salto Grande; sócia-proprietária do espaço Câmara Eventos e sócia-proprietária da ALPHAJOR assessoria.
E afirma que a dicotomia entre público e privado é uma falácia. A diferença, ela defende com a clareza de quem viu os dois lados, é apenas uma: o lucro. Mas a forma de gerir, essa, deveria ser a mesma. “A gestão pública é formada por empreendedores que transformam a vida de toda uma população.”
Gestão pública com DNA empresarial
Sua fala é um manifesto de eficiência. “O sis-tema público deveria ser governado como o sistema privado. Não no sentido do visar o lucro, mas no cuidado, na diminuição de burocracia, na busca por mais solidez. O lucro é o bom atendimento da maior quantidade de pessoas possível”, diz. Nessa visão, o “lucro” do Estado se traduz em bem-estar social, e a eficiência deixa de ser um jargão para se tornar uma obrigação.
Determinada, Cury é uma construtora de pontes. Sua vasta experiência na articulação do terceiro setor com os entes públicos a alçou para a capital, sendo cedida por Cândido Mota para atuar como assessora especial de gabinete da presidência da Câmara de Vereadores de São Paulo. Com formação em mediação e conciliação, ela vê nas organizações da sociedade civil um aliado fundamental para um Estado que sozinho não dá conta de toda a demanda social. “O poder público não tem a capacidade de abarcar toda necessidade de uma população”, diz.
Para ela, o terceiro setor é um apoio fundamental para as cidades, uma vez que as organizações sem fins lucrativos são constituídas, em sua maioria, por pessoas com propósitos genuínos. “É diferente de uma empresa privada que nasce com o objetivo de ter lucro. A organização nasce com um propósito de ajudar. E essa parceria é uma via de mão dupla que beneficia a todos: o poder público ganha em especialização e humanização, e a sociedade, em atendimento de qualidade.

Construtora de pontes: do interior à capital
Dentre as pontes que Mônica vem ajudando a construir na sua vida pública, talvez a mais apaixonadamente defendida por ela seja a que liga a capital ao interior paulista. Regionalista, ela defende que o interior precisa deixar de ser visto como um parente pobre e ser reconhecido como o “irmão trabalhador” que é.
“O interior é rico. Na minha região temos a melhor terra para se plantar do mundo. E além da produção agrícola temos natureza, cachoeiras, qualidade de vida, faculdades, educação acessível, aeroportos”, diz. E completa: “Nós precisamos de São Paulo (capital), mas São Paulo também precisa de nós (interior). A comida vem das nossas terras, pelas nossas estradas. O ovo não dá na prateleira do mercado. É essa consciência que eu quero tra-zer para o paulistano. Nós somos irmãos. E irmãos não podem se deixar de lado”, reflete.
Ela enxerga o Estado de São Paulo como um organismo integrado, onde a capital e o interior, o público e o privado, o Estado e o terceiro setor, são partes de um mesmo todo. Sem discursos vazios, é exemplo de como os políticos devem agir: como arquitetos de soluções. Sua trajetória é um testemunho de como a vivência na terra, a experiência no balcão de crédito e no relacionamento humano, podem forjar uma liderança mais consciente e eficaz.
Para 2026, Monica Cury está à disposição para continuar seu propósito na vida pública, contribuindo com a política do Estado e para que os partidos brasileiros a vejam como uma construtora de pontes e parcerias que fortalecem a política das cidades.
Na contramão do espetáculo, ela oferece substância. No lugar da divisão, propõe pontes. E, com a visão clara de quem sabe de onde veio e para onde quer ir, não apenas analisa o futuro de São Paulo, mas está ativamente envolvida em construí-lo, tijolo por tijolo, com as mãos na massa e os pés firmes na terra que tanto ama. Ela é, em essência, a voz do São Paulo real.
Por Luciana Albuquerque






