MÃOS À OBRA COM O PÉ NO ACELERADOR

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WILLY HERRMANN
Representante da Fórmula INDY para a América Latina

Desde o início de maio eu vinha acompanhando do Brasil os preparativos para a edição 2021 da Indy 500, que seria o maior evento com público presencial do mundo desde o início da pandemia. As notícias davam conta de que o governo havia liberado o acesso às arquibancadas para 135 mil pessoas, o que representa 1/3 da capacidade.

Apesar de já ter me vacinado contra a Covid-19, as limitações impostas para as viagens à América do Norte não me davam muita esperança de poder estar no meu evento favorito este ano. Foi então que, no dia 15 de maio, recebi a notícia de que eu havia sido aprovado para viajar aos Estados Unidos com base em uma norma de exceção chamada NIE – National Interest Exception pleiteada pela categoria diante da necessidade profissional, sendo eu responsável pelas negociações na América Latina.

Ainda sem saber o que me esperava na chegada em Miami, com os meus certificados de vacina  e um teste  PCR  negativo  recente em mãos, passei pela  imigração sem qualquer problema uma vez que esta aprovação NIE consta do banco de dados das autoridades norte americanas.

Apesar de, no aeroporto, todas as pessoas circularem com máscaras, o clima não era tenso e eu me  surpreendi  com o grande número de passageiros viajando. Mas, a maior surpresa veio do lado de fora, onde encontrei uma Miami quase normal, com pessoas circulando livremente, se reunindo nos bares e restaurantes num descontraído clima de normalidade que há muito eu não via.

Com grande parte da população vacinada, a Flórida dá sinais de que não só o aspecto sanitário está sob controle, mas também a economia vem se recuperando a todo vapor, tanto que raros são os negócios que não têm placas buscando contratar funcionários. Foi nesse momento que uma percepção otimista tomou conta de mim: a saúde e o progresso podem voltar!

No dia seguinte comecei a organizar a minha viagem para Indianápolis e acompanhei de perto a realidade da Covid-19 nos Estados Unidos, onde a vacinação segue em ritmo acelerado assim como a retomada da economia. O uso de máscaras nas ruas não é obrigatório na maioria das cidades, porém continua sendo recomendado em ambientes fechados. Algumas pessoas têm restrições quanto às vacinas e neste caso é exigido delas o uso constante de máscaras.  Além da facilidade para se vacinar, algumas empresas estão bonificando com descontos os clientes que se inocularem. No caso da Indy 500, desde março havia um posto de vacinação na pista, sendo que os fãs que lá tomaram a vacina receberam camisetas e um ingresso para o museu.

Para mim era quase um sonho, havia chegado o dia 30 de maio de 2021 e na Indianápolis Motor Speedway  estavam   presentes mais de 140 mil pessoas e eu! Na área das garagens e na  pista,  o uso das máscaras e a apresentação do certificado de vacina eram obrigatórios. Os eventos que antecederam a prova foram limitados, mas houve uma inesquecível demonstração de fé, otimismo e reconhecimento aos profissionais na linha de frente no combate à pandemia, além do incentivo a retomada responsável  dos  negócios e eventos. Com a vitória brasileira de Hélio Castro Neves,  o  dia não poderia ser mais  perfeito  e, tão emocionante como o fato de vencer pela quarta vez a corrida mais importante do mundo, foi ver a comemoração dele, o “Homem Aranha”, com o público presente.

Nas últimas voltas, os gritos da torcida pelo nosso Helinho já encobriam o ronco dos motores, foi um som único de 140 mil pessoas novamente juntas torcendo e celebrando. Quebrando o protocolo da cerimônia do pódio, vimos o campeão correndo a pé pela pista, saudando os fãs e sendo parabenizado pelo público, por mecânicos, autoridades e outros pilotos naquilo que, além da celebração da vitória na prova, foi uma celebração da vitória contra a pandemia!

Seguimos acelerando juntos.

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