Cinco mulheres que transformam seus setores, ampliam fronteiras e redefinem o que significa liderar na maior cidade do país, falam sobre as conquistas de 2025 e expectativas para o próximo ano
Alcançar um alto posto de liderança sendo mulher é mais do que uma conquista profissional, é um ato de afirmação. É ocupar um espaço que por muito tempo não foi construído para nós e, ainda assim, remodelá-lo com inteligência, propósito e uma força que não precisa gritar para ser percebida. Liderar, para uma mulher, é carregar simultaneamente a expectativa do mundo e a responsabilidade de abrir caminhos para quem vem depois. É exercer influência com empatia, construir respeito pelo exemplo e manter a integridade mesmo quando o cenário é desafiador.
Celebramos nesta edição especial da Hands ON Magazine, cinco trajetórias que traduzem liderança, não como apenas uma posição, mas como impacto, influência e inspiração. São mulheres que lideram com presença, que transformam equipes e mercados sem perder sua essência, que mostram que poder e gentileza podem, sim, caminhar juntos. Artistas, executivas, empreendedoras e criadoras que moldam seus mercados com coragem, sensibilidade e visão estratégica.
As entrevistas a seguir revelam os desafios deste ano e as expectativas para 2026 dessas líderes, que também comentam sobre seus papeis na sociedade e os avanços da liderança feminina no Brasil.

JANE CAMPOS – CEO DA RADICI PLASTICS
1. Qual sua conquista profissional mais significativa em 2025?
A conquista mais significativa em 2025 foi liderar o projeto de mudança e ativação de uma planta industrial completa, sem interromper as operações. Este foi o maior desafio da minha vida profissional em termos de projeto. O processo envolveu a mudança gradual de cada máquina em apenas dois meses, exigindo gestão cronológica intensa, administração de custos duplicados e uma gestão de pessoas rigorosa. O sucesso dessa transição, mantendo o estoque de segurança para clientes, especialmente do setor automotivo, é o que chamo de meu legado profissional.
2. Quais suas principais metas e desafios para 2026?
O principal desafio para 2026 é crescer, “indo contra a onda”. Com uma planta nova e um grande investimento, a meta é impulsionar o crescimento em um cenário que se projeta difícil, dadas as eleições, inflação e o reajuste do PIB para baixo. Para superar o desafio de crescer com um market share já consolidado, a estratégia da empresa será apostar na diversificação. Estamos focados na introdução de novos produtos para garantir um crescimento mais rápido e sustentável.
3. Como uma empreendedora mulher como você analisa o cenário da ascensão da liderança feminina no país?
Reconheço a importância de valorizar as poucas mulheres que chegam a posições de comando. Em minha experiência, não sinto diferença em ser homem ou mulher na liderança, embora atue em mercados historicamente masculinos, como a indústria química e automobilística. No entanto, vejo como contraste, a competição de ego que não vejo entre as mulheres e observo em alguns homens. A liderança feminina tende a ser marcada pela colaboração e ajuda mútua. Como aprendizado, o que digo é que, aprendi, com o tempo e a experiência, que a melhor estratégia é a humildade e a paciência: ouvir, analisar e somente depois responder, sendo direta, em vez de recorrer à briga ou gritaria.
4. Quais suas expectativas para o Brasil em 2026? Minha expectativa – diria até que meu “sonho de consumo” – é que o Brasil tenha estabilidade e previsibilidade econômica. O Brasil é um país imprevisível, com mudanças constantes em impostos e regulamentações, como as discussões da reforma tributária e a nova NR01 sobre saúde mental nas organizações. Essa imprevisibilidade gera custos e dificulta o planejamento de longo prazo, sendo prejudicial para empresas estruturadas. Se houver estabilidade e juros baixos, o consumo interno – que já é um motor enorme do país – pode se planejar e crescer, beneficiando a todos.

ROSELY CURY SANCHES – FUNDADORA DO GRUPO ALBATROZ
1. Qual foi sua conquista profissional mais significativa em 2025?
Em 2025 minha conquista mais significativa foi a consolidação da nossa empresa como referência em segurança privada. Isso não apenas elevou nosso patamar competitivo, mas também reforçou nossa credibilidade num setor historicamente dominado por lideranças masculinas. Como mulher líder, essa conquista representa mais do que um marco financeiro ou estratégico — ela simboliza resistência, competência e a quebra de paradigmas. Mostra que é possível comandar com firmeza, sensibilidade e visão estratégica, transformando a segurança em um serviço mais humano, eficiente e inclusivo.
2. Quais são suas principais metas ou desafios para 2026?
Para 2026, minhas principais metas estão centradas na inovação tecnológica com foco em inteligência artificial aplicada à prevenção de riscos e no fortalecimento de políticas internas de diversidade e inclusão. O maior desafio, sem dúvida, será manter o crescimento sustentável num mercado cada vez mais competitivo e tecnológico, sem perder o foco nas pessoas — nossos colaboradores e clientes.
3. Como uma empreendedora mulher como você analisa o cenário da ascensão da liderança feminina no país?
A liderança feminina, neste novo ciclo, será ainda mais essencial. Acredito que as mulheres têm uma capacidade diferenciada de escuta ativa, gestão emocional e resolução de conflitos, habilidades cada vez mais valorizadas em ambientes corporativos. Nossa presença contribui para culturas organizacionais mais saudáveis, colaborativas e resilientes. Quero ver mais mulheres ocupando cargos estratégicos, não como exceção, mas como parte fundamental da tomada de decisão.
4. Quais suas expectativas para o Brasil em 2026?
Minhas expectativas para 2026 envolvem avanços concretos na segurança, no incentivo ao empreendedorismo e na valorização da mão de obra especializada. Desejo um Brasil mais seguro, especialmente para as mulheres, tanto na vida cotidiana quanto no ambiente profissional. Em São Paulo, espero ver maior integração entre o setor público e o privado na construção de políticas de segurança urbana, com foco em tecnologia, prevenção e inclusão social. Ainda enfrentamos muitos obstáculos burocráticos e culturais, e acredito que mudanças estruturais são urgentes para garantir um ambiente mais justo e propício à inovação e ao protagonismo feminino no mercado.

HELOÍSA SANTANA – PRESIDENTE-EXECUTIVA DA AMPRO
1. Qual foi sua conquista profissional mais significativa em 2025?
Este 2025 foi um ano de marcos importantes. Trabalhar em parceria com outras entidades para manutenção do PERSE; levar o conceito de marketing de experiência para mais de 3.000 estudantes por todo Brasil; celebrar os 25 anos do AMPRO Awards foi, sem dúvida, uma das conquistas mais significativas – não apenas pelo prêmio em si, mas pelo que ele representa em termos de maturidade do nosso setor e do papel da AMPRO na valorização do live marketing no Brasil. Como mulher líder, foi muito simbólico conduzir essa celebração com uma equipe diversa, criativa e comprometida, mostrando que é possível fazer gestão com sensibilidade, rigor e propósito. Essa conquista representa para mim a união entre resultado e afeto – algo que acredito profundamente ser o diferencial da liderança feminina.
2. Quais são suas principais metas ou desafios para 2026?
Minha principal meta é consolidar os projetos estruturantes da AMPRO – nos pilares de Relações Governamentais; Capacitações em parceria com entidades com cultura de live marketing; reaquecer dados do mercado, como o AMPRO Index, o fortalecimento das Communities e o avanço nas pautas de ESG e inovação – de modo que o setor se torne cada vez mais reconhecido como estratégico para a economia criativa do país. E outros projetos que estão em formatação, como foco em deixar o mercado mais consciente, consistente e com relações agência / anunciante mais equilibrada.
3. Como você enxerga o papel da liderança feminina nesse novo ciclo?
Vejo o papel da liderança feminina como es-sencial nesse novo ciclo. As mulheres têm trazido uma visão integradora, colaborativa e, ao mes-mo tempo, pragmática, que ajuda a transformar ambientes e acelerar mudanças culturais. Liderar é também cuidar – de pessoas, de processos e de propósito – e acredito que essa é uma marca das gestoras que estão moldando o futuro do mercado.
4. Quais suas expectativas para o Brasil em 2026?
Espero ver um Brasil que avance em equidade, educação e ética pública, e um São Paulo que continue sendo um polo pulsante de cultura, criatividade e inovação – mas com mais acesso, inclusão e sustentabilidade. Quero ver mais espaços de diálogo entre o poder público e o setor produtivo, especialmente na economia criativa, e um ambiente em que mulheres, pessoas negras, periféricas e LGB-TQIAPN+ possam ocupar posições de liderança e influência. Acredito que 2026 pode ser um ano de virada – se conseguirmos unir consciência social e competência de gestão.

CHRIS AYROSA – CENÓGRAFA, DESIGNER DE EXPERIÊNCIAS, PALESTRANTE E EMPRESÁRIA
1. Qual sua conquista profissional mais significativa em 2025?
Foi o entendimento e a concretização de um novo propósito profissional, focado no compartilhamento de conhecimento. Foi abrir caminhos para entregar e compartilhar minha vasta experiência de 43 anos em cenografia, atuando como historiadora e museógrafa. Meu objetivo é levar conteúdo sobre processos, perdas, ganhos e desafios da arquitetura cenográfica para o mercado de eventos, especialmente através de palestras. Além disso, quero ser uma representante na defesa da importância da longevidade ativa, ressaltando que esta faixa etária, de mulheres 70+, ainda possui muito a realizar e contribuir profissionalmente.
2. Quais suas principais metas e desafios para 2026?
Quero colocar em prática essas duas frentes, meu propósito de compartilhar conhecimento e da longevidade ativa. Continuar indo para o outro lado do mundo, aprendendo em eventos globais, como SXSW, nos principais eventos e feiras de decoração e arquitetura de Milão. Conseguir reunir todas as experiências de outras áreas, de outros profissionais que complementam minha vida profissional e pessoal, e implementar isso para o ano que vem de uma maneira muito coerente, real e tranquila, utilizando minha bagagem de vida profissional e pessoal.
3. Como uma empreendedora mulher como você analisa o cenário da ascensão da liderança feminina no país?
Eu vejo que há uma diferença drástica no cenário atual em comparação com o início da minha carreira, há mais de 40 anos, em um universo agropecuário, corporativo e predominantemente masculino. Com o tempo, mentes femininas começaram a entrar nesse universo e trazer uma sensibilidade e um DNA melhor para processos e a materialização de experiências e lançamentos de marcas. Ainda assim, precisamos nos policiar para não deixarmos a síndrome da impostora nos dominar. Ela vem de uma questão de criação e cultura que afeta as mulheres, mas acredito que as futuras gerações a experimentarão em menor grau.
4. Qual sua expectativa para o Brasil em 2026? Independente das conjunturas internacionais e nacionais, do resultado das eleições, o Brasil é um país de grande valor humano e social globalmente. Somos capazes de “dar a volta por cima”. A gente consegue fazer o que, talvez para outras comunidades de empreendedorismo no resto do mundo seja mais difícil: o brasileiro se reinventa constantemente. Estou confiante de que o país conseguirá progredir.

BIA DORIA – ARTISTA PLÁSTICA
1 – Qual foi sua conquista profissional mais significativa em 2025?
A expansão do meu trabalho pelo mundo, porque fazer arte requer muita dedicação e tempo. Ao conseguir expandir e alcançar outras fronteiras temos a confirmação de que o propósito artístico foi plenamente realizado. A arte demanda uma dedicação ininterrupta, influenciar e motivar com o um trabalho é uma representação de liderança.
2 – Quais são suas principais metas ou desafios para 2026?
Meu principal desafio, que também é uma meta, é conseguir tempo dedicado para trabalhar nas minhas obras. Não me considero muito ligada ao conceito formal de liderança, mas acredito profundamente no poder da força coletiva e no que podemos realizar juntos.
3. Quais suas expectativas para o Brasil em 2026?
Minha expectativa é que, com o meu trabalho, consiga criar uma obra espetacular que agrade a todos. Para 2026, gostaria que mudássemos, definitivamente, esse ciclo vicioso que estamos vivendo na política. Precisamos acabar com essa polarização excessiva que desgasta o diálogo e impede que a atenção se volte para os problemas reais do país. Esse é meu desejo para o próximo ano.
Por Luciana Albuquerque







