CASACOR São Paulo parceira da natureza, veja os destaques

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CASACOR São Paulo 2025
CASACOR São Paulo 2025

A 38ª edição da mostra de arquitetura, design de interiores e paisagismo, reforçou a importância da preservação do meio ambiente e mostrou que a integração entre design e natureza cria possibilidades de um futuro mais equilibrado e consciente

A CASACOR São Paulo chegou a sua 38ª edição como a maior e mais completa plataforma de arquitetura, design de interiores e paisagismo das Américas. Realizada de 27 de maio a 3 de agosto de 2025, a mostra ocupou mais de 10 mil metros quadrados dentro do Parque da Água Branca, um espaço urbano com 137 mil metros quadrados de vegetação remanescente da Mata Atlântica preservada.

A mostra se estruturou em três principais pilares: sonhos coletivos; ecossistemas em cooperação; e confluência de saberes, que incentivaram os profissionais a refletirem a importância da transdisciplinaridade e da integração entre natureza e urbanismo.

O paisagismo foi o grande destaque dessa edição da CASACOR com 13 projetos que refletiram a transformação ocorrida após a pandemia, em que o ‘ficar em casa’ incentivou um melhor aproveitamento dos espaços externos para relaxar. Desde então, o conceito wellness passou a ser mais valorizado para levar bem-estar individual ou em grupo e, com isso, paisagistas e proprietários se unem para tornar os lares ainda mais agradáveis.

Os profissionais usaram a natureza para responder à complexidade dos tempos atuais. Na entrada da mostra nos encantamos com dois jardins sensoriais, Semeando o Futuro, assinados pela estreante Simone Campos Paisagismo, que apostou na sustentabilidade com pisos drenantes capazes de reduzir o acúmulo de água da chuva, e na iluminação inteiramente de leds. Entre os dois prédios históricos que abrigaram a mostra, a dupla Catê Poli e João Jadão criou o Jardim da Alameda, uma praça ao ar livre com móveis de linhas orgânicas dispostos entre folhagens tropicais e jabuticabeiras. O local abraçou os visitantes e funcionou como um respiro e descanso antes de prosseguir para os próximos ambientes da mostra.

Helena Elias, do escritório Jardim Paulistano, criou o Soul Garden, um jardim com espécies nativas formando uma barreira natural à radiação solar, criando microclimas agradáveis e contribuindo para o conforto térmico.

O veterano Mauro Contesini nos brindou com o Bosque do Silêncio, onde uma escadaria em mármore e quartzito guiava os visitantes para a contemplação da mostra, integrando a natureza e a vida urbana, evocando memórias afetivas através da escolha de espécies vegetais. Mônica Costa Paisagismo elaborou o acolhedor Lounge Água Branca, com mobiliário Jader Almeida, madeira certificada e espécies tropicais, diante da fachada tombada do edifício do parque, reforçando o compromisso com a preservação da natureza e do patrimônio histórico.

No percurso dos deslumbrantes jardins externos encontramos o Pátio Paulistano de Pedro Rabelais Paisagismo, que nos conscientizou sobre a utilização responsável dos recursos naturais com vegetações tropicais crescendo livremente sobre vigas metálicas e uma escultura de Ana Holck. Dono de um olhar inovador sobre o paisagismo urbano, Vitor Kodama, da Kawai Paisagismo, criou o Jardim Simbiose, que refletiu a biodiversidade e a beleza espontânea da natureza com esculturas da série Agglomerations, da artista curitibana Bruna Mayer e combinações cromáticas em ripas.

O consagrado e premiado Roberto Riscala assinou a área de boas-vindas. Sem fazer intervenções nas paredes ou nos pisos, ele mostrou a harmonia entre natureza, arte e patrimônio. Com grandes vasos representando prédios e arranha céus em meio a vegetação e outros elementos naturais redefinindo o significado de metrópoles e vida urbana.

Natureza Imaginária, de Roberto Riscala, com vegetações no alto de vasos esculturais, traz a ideia de que a natureza sempre deve ser colocada em prioridade

O olhar afetivo de Paula Varga integrou móveis de madeira maciça, vitrais de demolição e ninhos cerâmicos com o Pau-Brasil em seu Jardim Espelho dos Sonhos. Denis Bessa, do Estúdio Musgo, criou o Jardim das Descobertas, com espécies nativas e elementos simbólicos, como espelho, fogueira e fonte, trazendo o contato sensível com a natureza e o autoconhecimento. A Tetriz Arquitetura foi responsável pela Casa das Águas, um jardim que é uma extensão do banheiro-conceito criado pelo escritório.

Brilharam ainda os projetos de Elkis+ Paisagismo, assinados por Gilberto e Caroline Elkis, que criaram um caminho sinuoso pavimentado com piso drenado e com composição botânica de dezenas de espécies tropicais; e Luciano Zanardo Paisagismo, que deu vida ao Jardim do Círculo de Pedras, um projeto que reverencia a espiritualidade integrando as espécies existentes no local com dois livings e rochas nordestinas.

Por Vanda Fulaneto